
Pular o entendimento do contexto gera retrabalho quase sempre, mesmo quando o pedido parece claro e a solução parece simples. Antes do erro aparecer, a decisão já foi tomada sem conhecer o cenário real onde o sistema vai funcionar.
Quase sempre o retrabalho não começa no erro em si.
Ele começa antes, quando o contexto ainda não foi entendido direito, quando as rotinas existentes, as exceções e as pessoas envolvidas ficam fora da conversa inicial.
O pedido chega claro o suficiente para parecer simples.
Uma funcionalidade nova, uma regra a mais, uma automação que “resolve rápido”. O time entende, o desenvolvimento começa, e tudo parece andar.
Até que surgem as primeiras correções.
Não porque o sistema não funciona, mas porque ele funciona fora da realidade onde será usado.
No IREB¹, entender o contexto significa olhar para tudo que existe ao redor do sistema:
as pessoas envolvidas, os processos atuais, as regras de negócio, as restrições técnicas, legais e organizacionais.
É o cenário onde o sistema vai viver, não apenas o que ele deve fazer.
Quando esse entendimento é pulado, decisões são tomadas no escuro.
O requisito até faz sentido isoladamente, mas entra em choque com rotinas existentes, exceções não mapeadas ou expectativas que nunca foram ditas.
O retrabalho aparece em pequenas formas:
ajustes de regra, mudanças de fluxo, campos que precisam ser incluídos depois, comportamentos que “ninguém tinha pensado”.
Nada disso parece grave sozinho, mas tudo junto consome tempo, energia e confiança.
Na prática, pular o contexto costuma vir da pressa.
A sensação de que entender demais atrasa.
Mas o atraso real acontece depois, quando o sistema precisa se adaptar a um ambiente que nunca foi considerado.
Entender o contexto não é mapear tudo em detalhe absoluto.
É saber o suficiente para fazer boas perguntas, identificar limites e evitar suposições perigosas.
Quando o contexto é compreendido desde o início, o trabalho flui melhor.
Não porque tudo fica perfeito, mas porque as decisões passam a ter base.
E isso reduz o retrabalho não por controle, mas por clareza.
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