
Necessidade, objetivo e requisito costumam aparecer misturados nas primeiras conversas de um projeto. Muitas vezes, são usados como se significassem a mesma coisa, mesmo quando estão falando de níveis diferentes do problema.
Mas elas não são a mesma coisa.
E essa confusão costuma aparecer logo no começo, quando alguém tenta explicar um problema ainda meio difuso.
A necessidade vem primeiro.
Ela existe antes do projeto, antes do sistema, antes da solução.
Normalmente aparece como um incômodo: demora, erro, retrabalho, falta de controle, insegurança. Nem sempre é dita com clareza, mas está ali, influenciando tudo.
Depois surge o objetivo.
Ele já é uma tentativa de organizar essa necessidade. É quando alguém diz o que espera mudar ou alcançar. Reduzir tempo, evitar falhas, melhorar a visibilidade, padronizar um processo. O objetivo aponta uma direção, mas ainda não explica como chegar lá.
O requisito só aparece depois.
Ele é a forma concreta de atender a esse objetivo. É uma condição que o sistema precisa cumprir para que aquela necessidade seja, de fato, atendida. Aqui já existe mais precisão, mais cuidado com palavras, mais responsabilidade sobre o que será construído.
Segundo o IREB¹, requisitos descrevem o que um sistema deve fazer e sob quais condições, sempre conectados a objetivos claros. Quando necessidade, objetivo e requisito são tratados como a mesma coisa, essa conexão se perde.
O requisito até pode ser implementado, mas dificilmente resolve algo real.
Na prática, confundir esses três níveis gera conversas truncadas.
A necessidade vira tela.
O objetivo vira botão.
E o requisito vira suposição.
Quando a análise de requisitos respeita essa separação, as perguntas mudam.
Em vez de “o sistema precisa ter isso?”, a conversa vira “que necessidade isso atende?”
Em vez de “dá pra fazer?”, surge “isso contribui para o objetivo?”
Nem sempre essas respostas aparecem rápido.
Às vezes elas se ajustam com o tempo, com uso, com erro e correção.
Mas quando necessidade, objetivo e requisito são tratados como coisas diferentes, o caminho fica menos confuso — mesmo que ainda seja longo.
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