E onde a Análise de Requisitos entra nesse cenário?
Introdução
Quando alguém decide migrar para as áreas da TI, a primeira barreira raramente é técnica.
Ela é conceitual.
De repente surgem siglas, cargos e trilhas que parecem exigir decisões imediatas:
- “Front ou back?”
- “Dados ou produto?”
- “Preciso aprender a programar agora?”
Essa confusão faz muita gente desistir antes mesmo de começar — ou entrar em caminhos que não combinam com quem são.
Este texto existe para organizar esse cenário de forma honesta, especialmente para quem vem de fora e quer entender onde a Análise de Requisitos se encaixa na TI.
A grande divisão da TI (que quase ninguém explica)
Apesar da quantidade de cargos e nomes, a tecnologia pode ser compreendida a partir de um eixo simples:
- áreas mais técnicas e executoras
- áreas mais analíticas e estratégicas
Nenhuma é melhor que a outra.
Elas exigem perfis diferentes.
O problema é que o mercado costuma tratar a primeira como “TI de verdade”.
E isso simplesmente não é verdade.
Áreas da TI – técnicas: quando a ferramenta é o centro
Essas áreas têm foco direto em implementação, performance e solução técnica.
Exemplos comuns:
- Desenvolvimento de software
- Infraestrutura e redes
- DevOps
- Segurança da informação
São áreas excelentes para quem:
- gosta de aprofundar em ferramentas
- sente prazer em resolver problemas técnicos complexos
- prefere regras claras e sistemas bem definidos
Mas elas não são o único caminho possível dentro da tecnologia.
Áreas da TI – analíticas: quando o problema vem antes da solução
Aqui, a tecnologia é meio — não fim.
Essas áreas existem para garantir que o que será construído:
- faz sentido
- resolve um problema real
- atende pessoas reais
Exemplos:
- Análise de Requisitos
- Produto (Product Owner / Product Manager)
- Qualidade / QA
- Análise de Dados (em parte)
Essas áreas exigem profissionais que saibam:
- ouvir
- perguntar
- organizar informações confusas
- tomar decisões considerando contexto
O que faz um Analista de Requisitos, afinal?
A Análise de Requisitos ocupa um lugar central entre negócio, usuário e tecnologia.
O papel do Analista de Requisitos não é escrever documentos bonitos.
É garantir que o time esteja resolvendo o problema certo, antes de qualquer solução existir.
Na prática, isso envolve:
- conversar com stakeholders
- identificar necessidades reais (e não apenas pedidos)
- traduzir isso em requisitos claros
- apoiar o time técnico na construção
É uma área onde maturidade profissional pesa mais que velocidade.
Análise de Requisitos é para quem vem de outra carreira?
Frequentemente, sim.
Profissionais em transição costumam já saber:
- lidar com pessoas
- entender processos
- mediar conflitos
- trabalhar com regras, exceções e prioridades
Tudo isso é base da Análise de Requisitos.
Por isso, essa área não exige que você “vire outra pessoa”.
Ela aproveita exatamente o que você já construiu.
Preciso saber programar para trabalhar com Análise de Requisitos?
Não.
Você não precisa ser programadora para atuar em Análise de Requisitos.
Mas isso não significa ignorar completamente a parte técnica.
O que se espera de um bom AR é:
- entender conceitos
- conversar com desenvolvedores sem ruído
- respeitar limites técnicos
Não escrever código não é o mesmo que não entender tecnologia.
Como escolher uma das áreas da TI com mais consciência
Antes de decidir uma trilha, vale refletir:
- Eu gosto mais de entender o problema ou de construir a solução?
- Prefiro profundidade técnica ou visão sistêmica?
- Me sinto mais confortável executando ou articulando?
Essas respostas dizem mais sobre seu caminho na TI do que qualquer tendência de mercado.
Conclusão
Entrar na área de TI não exige que você se encaixe em um molde único.
Existe espaço para diferentes perfis — e o mercado precisa disso.
Se você sente que seu talento está em organizar, traduzir e conectar, a Análise de Requisitos pode ser não apenas uma porta de entrada, mas uma carreira sólida e de longo prazo.
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