
Em muitos projetos, a análise de requisitos começa já atrasada.
Não porque alguém fez algo errado, mas porque ela foi confundida com outra coisa.
Às vezes ela vira uma reunião rápida, às vezes um documento preenchido às pressas, às vezes um conjunto de telas desenhadas antes mesmo de entender o problema.
Mas análise de requisitos não é isso.
Não é escrever tudo o que o cliente falou, do jeito que foi dito.
Quando alguém descreve uma solução, normalmente está tentando resolver um problema que ainda não conseguiu explicar direito. Registrar a solução sem investigar a necessidade só transfere a confusão para o sistema.
Também não é desenhar telas ou fluxos logo no início.
Esses artefatos podem ajudar a pensar, mas não substituem o entendimento. Quando a tela vem antes da conversa, ela acaba guiando decisões que ainda não deveriam existir.
Análise de requisitos não é adivinhar o que o usuário quer.
Supor, interpretar em silêncio ou “completar” lacunas sem validar cria requisitos frágeis, que parecem claros no papel, mas falham no uso real.
Não é uma etapa rápida só para “liberar o desenvolvimento”.
Segundo o IREB¹, requisitos precisam ser identificados, documentados, validados e gerenciados. Isso não acontece em um único momento, nem termina quando o projeto começa a ser construído.
Também não é um trabalho solitário.
Análise de requisitos depende de comunicação. Perguntar, ouvir, confirmar, reformular e voltar. Quando ela acontece isolada, perde conexão com quem realmente vive o problema.
E, talvez o erro mais comum: análise de requisitos não é focar apenas no sistema.
O sistema é consequência. O ponto de partida é sempre a situação atual, o contexto, as limitações e as pessoas envolvidas.
Quando essas confusões acontecem, o projeto até anda, mas anda torto.
Funciona, mas não resolve. Entrega, mas não melhora.
Entender o que análise de requisitos não é ajuda a abrir espaço para o que ela realmente precisa ser: um esforço consciente de entendimento antes da decisão.
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